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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Gravações de Dizzy Gillespie com o Trio Mocotó serão lançadas após 35 anos

Quando se pensa nos grandes nomes do jazz mundial, Dizzy Gillespie é um dos primeiros a ser lembrado. O músico sempre teve um carinho especial pelo Brasil, tanto que veio ao país em oito oportunidades.

Em uma destas viagens às terras tupiniquins, em 1974, Gillespie, em uma de suas várias experimentações musicais, fez gravações em conjunto com o Trio Mocotó, consagrado grupo de samba-rock brasileiro.

Estas gravações feitas no Estúdio Eldorado, em São Paulo, jamais foram lançadas. Entretanto, no ano passado o produtor suíço Jacques Muyal as encontrou e após uma longa pesquisa para descobrir quem eram os músicos que acompanhavam Gillespie, constatou que tinha em mãos a parceria da lenda do jazz com o Trio Mocotó.

Muyal tem planos de vir ao Brasil no início do segundo semestre, para que, após 35 anos, finalmente seja feito o lançamento das gravações que Dizzy Gillespie fez em terras paulistanas.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

A cultura em oposição à guerra

O que pode parar ou amenizar uma guerra? Os mais saudosistas fãs de futebol com certeza citarão o episódio que envolveu o Santos de Pelé, que em 1969, durante uma excursão da equipe paulista ao continente africano, viu o conflito no ex-Congo Belga ser interrompido para que o craque brasileiro e seus companheiros pudessem mostrar àquele povo o futebol-arte que os tinham consagrado. Mas que relação este episódio tem com o jazz ou a música?

Os Estados Unidos informaram que enviarão músicos às zonas de conflito no Afeganistão e no Iraque, para reforçar o intercâmbio cultural e aumentar sua influência na área. De imediato, ao saber disto, não pude deixar de lembrar do episódio que envolveu o jogador brasileiro há 40 anos atrás. 

Claro que muitos dirão que esta é mais uma medida para “estadunizar” o Oriente Médio, entretanto, observo que a substituição de armas por instrumentos musicais é algo traz fatores positivos e pacifistas a uma região em que ultimamente o som de disparos de rifles tem sido o mais freqüente. 

O diretor do Instituto de Estudos de Jazz da Universidade de Nova Jérsei, Dan Morgenstern, lembra que durante a Guerra Fria, esta prática já ocorria, pois “enviar músicos como Louis Armstrong e Dizzy Gillespie foi uma forma de penetrar em países que faziam parte da Cortina de Ferro.” 

Esperamos que este “poder inteligente”, como definiu a Secretária de Estados Hillary Clinton, seja uma maneira de pacificar e unir os povos de uma região tão devastada nos últimos anos pela destruição das armas de fogo, e que não seja utilizado como forma de manipular a população daqueles locais, fazendo sim um intercâmbio cultural e não uma imposição cultural.