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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tiso: da pequena Três Pontas para o mundo

Dos bailes do interior das Minas Gerais, Wagner Tiso (foto à esquerda, com o acordeon branco) levava a tira-colo seu acordeon nas festas, juntamente com o seu parceiro Bituca [Milton Nascimento] (foto à esquerda, ao lado oposto de Wagner) .Foi assim o início de sua peregrinação musical nas apresentações em clubes do município de Três Pontas, localizado na região centro-sul mineira.

Após experiências musicais em Belo Horizonte, onde conheceu mais o jazz, através da turma de músicos como Nivaldo Ornellas, Airto Moreira e Robertinho Silva, e no Rio de Janeiro onde começa a sua experiência como arranjador e produtor musical, Wagner passa a fazer turnês nacionais e internacionais com Milton Nascimento, destaque para dois festivais de Jazz de Montreux, na Suíça, e gravações com músicos renomados como Herbie Hancock e Hermeto Pascoal.Além de buscar novos horizontes musicais e produzir trilhas sonoras para o cinema.


Tiso (foto à direita) divulga o seu mais recente trabalho Samba & Jazz, 100 anos de música. Belissimo albúm com músicos de primeira linha como: Victor Biglione, Nivaldo Ornellas, Lula Galvão, Nicolas Krassik e Paulo Moura e com misturas ritimicas brasileiras e influências do jazz e da música erudita. Wagner, em entrevista ao Pauliceia do Jazz , conta um pouco da sua experiência e vivência musical.

Pauliceia do Jazz: Como é reunir o balanço do samba e o improviso do jazz num trabalho com bons músicos brasileiros?


Wagner Tiso: O samba & Jazz, um século de música é uma trilogia que começa em 1997. No inicio da minha carreira musical, comecei como pianista. Logo, eu quis fazer uma homenagem de Tom a Villa-Lobos, Debussy e Fauré e Milton e Tiso em 2000. Pois considero todos esses compositores referências musicais importantes.

PJ: Seu inicio de carreira foi no interior do Estado de Minas Gerais , na cidade de Três Pontas, e como era o seu trabalho musical na região?

WT:Meu primeiro instrumento que aprendi a tocar foi o piano. Mas como nos clubes do interior não tinha piano, o jeito era levar o acordeon para os bailes dos clubes da cidade.Juntamente com o Bituca (Milton Nascimento),formavamos grupos musicais para tocar no circuito da cidade.


PJ: Como você passou a conhecer mais os compositores do jazz?

WT: Conheci quando cheguei em Belo Horizonte e passei a conhecer os standars do jazz como Miles Davis, Jonh Coltrane, Duke Ellington. Antes só conheciam os influentes como Frank Sinatra, Ray Charles e os clássicos como George Gershwin.

PJ: Wagner, você compões trilhas sonoras para o cinema? Como começou a compor trilhas e quais são as mais conhecidas do público?

WT: Sim. Já compus para 30 longa-metragens e entre os mais conhecidos do público posso destacar Jango , Ele, o Boto, Inocência e Chico Rei . Através da composição de trilhas, surgiu idéias para novas composições e a mais conhecida que foi fruto dos trabalhos para o cinema foi Coração de Estudante (1984). A composição era um tema do filme Jango.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A diva está de volta!

Um dos maiores nomes do jazz contemporâneo retornará aos palcos brasileiros após uma memorável apresentação no Free Jazz Festival de 1994. A diva Cassandra Wilson, vencedora do Grammy deste ano na categoria de melhor disco de jazz vocal com o álbum “Loverly”, fará apresentações em São Paulo, nos dias 28 e 29 de maio, e no Rio de Janeiro, no dia 31.

Wilson é conhecida por apresentar uma grande diversidade de influências em sua música, que variam desde ritmos caribenhos e afro, passando pelo blues e pelo jazz, chegando até o pop e o rock, sendo que já gravou versões de canções de nomes como Wallflowers, Cindy Lauper e U2.

Em “Loverly”, que foi gravado na cidade natal da cantora, Jackson, no Mississipi, um quinteto formado por excelentes instrumentistas participou do álbum, sendo que quase todos acompanham Wilson na turnê. 

Virão ao Brasil Lekan Babaola, na percussão, Reginald Veal, no baixo, Herlin Riley, na bateria, e Marvin Sewell, na guitarra. A exceção fica por conta do pianista, já que quem participou das gravações foi Jason Moran, que será substituído nos shows por Jonathan Batiste.

Os shows da cantora em terras paulistanas ocorrerão no Bourbon Street (dia 28) e no HSBC Brasil (no dia 29), Já o local da apresentação na cidade maravilhosa será no Vivo Rio.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Virá um filme maravilhoso?

O cantor e trompetista Louis Armstrong terá sua vida retratada nas telas do cinema através do ator e diretor Forest Whitaker.

O filme terá como título aquele que foi o maior sucesso dentre as canções gravadas pelo artist,:What A Wonderful World, que focará desde o início da carreira dele em Nova Orleans até tornar-se um dos grandes nomes do jazz.

Este será o quarto filme dirigido por Whitaker, sendo que será o primeiro longa com sua direção após a sua consagração no Oscar de 2007, em que ganhou o prêmio de melhor ator por sua atuação como o ditador de Uganda Idi Amin em O Último Rei da Escócia.

O ator deve também ser o protagonista da película, e julgando suas últimas atuações, espera-se que venha mais uma fabulosa interpretação de Whitaker, que declarou à revista de entretenimento Variety que “Armstrong deixou uma lacuna monumental nas nossas vidas e na nossa cultura”, mudando para sempre o modo como a música é interpretada e ouvida.

Whitaker já interpretou anteriormente uma outra lenda do jazz no filme Bird (1988), dirigido por Clint Eastwood, no qual o ator interpretou o saxofonista Charlie Parker.

Esta não será a primeira vez que um grande nome do jazz terá sua vida retratada nas telonas. Em 2004 Ray, dirigido por Taylor Hackford e protagonizado por Jamie Foxx, contou a trajetória da vida de Ray Charles, sendo que o filme teve boa aceitação do público e da crítica, rendendo dois Oscar, incluindo o de melhor ator para Foxx.

As filmagens de What A Wonderful World tem previsão de se iniciarem no segundo semestre deste ano em Nova Orleans, terra natal de Louis Armstrong.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Fim Festival?

Desde 1985, o Brasil abrigava um festival que trouxe atrações renomadas do mundo do jazz, além de também apresentar em sua escalação nomes cultuados do rock e da música eletrônica.

No seu surgimento chamava-se Free Jazz Festival, sendo que o nome era em razão do patrocínio da marca de cigarros Free, da Souza Cruz. O festival ocorreu com este nome até 2002, ano em que teve sua edição cancelada, motivada pela alta do dólar.

Com a nova legislação que passou a vigorar a partir de 2003, a qual passou a proibir patrocínio de empresas tabagistas a eventos culturais, o festival mudou de patrocinador e consequentemente de nome, passando a se chamar TIM Festival, em virtude da parceria com a empresa de telefonia.

Nesses 24 anos vieram ao Brasil artistas renomados como Chet Baker, Sonny Rollins, John Lee Hooker, Philip Glass e Nina Simone, além de grandes nomes do rock contemporâneo, como Sonic Youth, Belle & Sebastian, White Stripes, Primal Scream, The Strokes e Arctic Monkeys.

Porém, com a recente crise mundial, a patrocinadora do evento decidiu cancelar o TIM Festival. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o novo presidente da organização, Luca Luciani, pretende abortar os projetos relacionados à música, o que abrange também o Prêmio TIM de Música, fazendo com que a verba destinada a eles seja redirecionada para outros fins.

A Dueto Produções, produtora do festival desde o seu início, agora busca um novo parceiro para o evento. Entretanto sinaliza que para este ano não há mais tempo hábil para a realização do mesmo.

Com a confirmação do fim do TIM Festival, os brasileiros perdem aquele que com certeza era o seu mais eclético e diversificado evento musical, e que em conseqüência era também o que mais cacife tinha para trazer aos palcos nacionais os grandes nomes do jazz. Esperamos que haja uma nova empresa interessada em patrocinar e investir no festival, para que os amantes da música não fiquem sem o já tradicional evento musical dos finais de ano.