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terça-feira, 21 de abril de 2009

A perda de um grande músico


O saxofonista alto Bud Shank, considerado um dos icones do cool jazz - mais especificamente da variante West Coast ( que formou com Chet Baker e Gerry Mulligan o primeiro núcleo cool da Costa Oeste), morreu no inicio deste mês durante os trabalhos para a gravação de seu novo disco.

Para o músico brasileiro João Donato, foi lamentável a perda de um "grande amigo" e relembrou dois albuns que gravaram juntos: " Bud Shank and his Brazilian Friends" (1965, Pacific Jazz) e " Uma tarde com Bud Shank e Donato" (2004, Biscoito Fino) . No primeiro albúm estão além do pianista-compositor, Rosinha de Valença (violão), Tião Neto (baixo) e Chico Batera;no segundo Luis Alves (baixo) e Robertinho Silva (bateria).

Laurindo de Almeida e Bud Shahnk foram precursores da jazzificação do samba, em abril de 1953 - nove anos antes do antológico "jazz Samba" , de Stan Getz e Charlie Byrd - com o primeiro volume da série "Brazilliance" (Pacific Jazz, reeditado em CD pela Blue Note, em 1991). Neste álbum, o violonista e o saxofonista tratam de maneira bem soft ( quase smooth jazz , ainda sem a batida da bossa nova) versões de "Carinhoso" (Pixinguinha), "Speak Low" ( Kurt Weil), "Inquietação" (Ary Barroso), "Tocata" ( Radamés Gnatalli), originais de Almeida e outros temas menos conhecidos.

Registre-se ainda que Laurindo e Bud formaram nos anos 1970, o L.A. four , com o grande Ray Brown no baixo. O grupo não chegou a criar o maior frisson no planeta jazz.

domingo, 12 de abril de 2009

Roberts: CD para poucos e bons


Toque refinado, fraseado sem firulas, rico em deliciosas sutilezas harmônicas e ritimicas influentes de Thelonious Monk na década de 1940. "New Orleans Meets", Volume 1, é o mais novo albúm de Marcus Roberts.

Composto de 12 faixas e a participação de seu trio, composto pelos músicos: Jason Marsalis (bateria), Roland Guerin (contra-baixo), é a primeira gravação do grupo desde "Cole After Midnight" (uma homenagem ao trio de Nat "king" Cole e também a Cole Porter, de 2001).

"Gravamos 'New Orleans Meets Harlem' para mostrar como a música de Nova Orelans impactou o posterior estilo musical do Harlem, através da visão e da arte de cinco pianistas-compositores daquelas eras", declara Roberts em nota escrita no CD e publicada na Gazeta Mercantil em 9/4/09 , Fim de Semana.

Para uma minoria privilegiada que acompanha o trabalho do músico desde os seus memoráveis registros para a Novus-RCA( "Deep in the Sheed,"sexteto , 1989, " As serenity Aproaches", solo e duos, 1991) e para a Sony Classical ("Portaits in Blue", 1995, com uma sensacional recriação de "Raposody in Blue", de Gershwin; e "The Joy of Joplin" , 1998, solo, com 8 saborosas versões, de temas como o "Rei do ragtime" e outros tantos originais do ex-pupilo do patriarca Elis Marsalis), Marcus continua a ser uma espécie de reserva de caça.

No trabalho de Roberts, há composições como "in Walked Blue" e "Ba-lue Bolivar ba-lues-are", de Thelonious Monk e composições próprias como "Searching for the blues" e outras releituras de antigos álbuns gravados como "The joy of Joplin" e de compositores como Duke Ellington em "Black and tan fantasy".